{"id":114114,"date":"2023-11-09T10:14:59","date_gmt":"2023-11-09T13:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=113187"},"modified":"2023-11-09T10:14:59","modified_gmt":"2023-11-09T13:14:59","slug":"crise-climatica-aprofunda-desigualdades-avaliam-ativistas-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114114","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica aprofunda desigualdades, avaliam ativistas negros"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO tipo de vida de um sujeito moderno, branco, reflexo da coloniza\u00e7\u00e3o, empurra o mundo para a emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u201d. A declara\u00e7\u00e3o do codiretor-executivo do Observat\u00f3rio da Branquitude, Thales Vieira, representa a t\u00f4nica do semin\u00e1rio organizado nesta quarta-feira (8), no Rio de Janeiro, para debater a\u00e7\u00f5es da branquitude como respons\u00e1veis&nbsp;pela crise ambiental. Thales considera que h\u00e1 no mundo um \u201cmodo de vida que enxerga o planeta e pessoas n\u00e3o brancas como recursos inesgot\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o branca. Um reflexo que vem da escraviza\u00e7\u00e3o e \u00e9 permanente\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1565358&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1565358&amp;o=node\"><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O encontro foi organizado neste m\u00eas da Consci\u00eancia Negra pelo Observat\u00f3rio da Branquitude e reuniu ativistas que unem dois campos de atua\u00e7\u00e3o, o movimento negro e as causas ambientais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Branquitude<\/h2>\n\n\n\n<p>O conceito de branquitude, segundo Thales, corresponde a um lugar de poder. \u201cUm lugar de privil\u00e9gios econ\u00f4micos, culturais, jur\u00eddicos, ocupado exclusivamente pela popula\u00e7\u00e3o branca. Uma localiza\u00e7\u00e3o de poder que pessoas brancas exercem sobre popula\u00e7\u00f5es racializadas, popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas etc. A branquitude \u00e9 esse lugar estruturado de poder\u201d, explicou \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma que o cientista social usa para explicar o conceito \u00e9 fazendo uma reflex\u00e3o sobre o racismo estrutural. \u201cSe existe racismo estrutural, existe, por outro lado, quem se beneficia dele tamb\u00e9m estruturalmente. E quem se beneficia \u00e9 o que a gente chama de branquitude\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Pk-Vhj4r9zwDR8TP5eiE5ZcSAKw=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/thales_vieira_do_observatorio_da_branquitude_-_divulgacao.jpeg?itok=ht9Ol3H0\" alt=\"Crise clim\u00e1tica aprofunda desigualdades, dizem ativistas negros. - Thales Vieira, do Observat\u00f3rio da Branquitude.  Foto: Arquivo Pessoal\" title=\"Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Afetados<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Thales, diferentemente do que possa indicar o senso comum, os efeitos mal\u00e9ficos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o democr\u00e1ticos, ou seja, n\u00e3o afetam por igual todas as popula\u00e7\u00f5es. \u201cPopula\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas s\u00e3o, desproporcionalmente, mais afetadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pelas cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cita o exemplo do rompimento de uma barragem, como j\u00e1 houve em Mariana, em Minas Gerais. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cVoc\u00ea imagina que aquele lama\u00e7al que transborda afeta todo mundo por ali. Mas a escolha daquele ponto onde a barragem \u00e9 colocada \u00e9 feita com inten\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre em um lugar onde moram as popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas. O lugar onde ficar\u00e1 uma ind\u00fastria que polua mais, um aterro sanit\u00e1rio, \u00e9 em locais de moradias de pessoas pobres, sobretudo, negras e ind\u00edgenas\u201d, avalia.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo o ativista, os efeitos negativos n\u00e3o s\u00e3o democr\u00e1ticos \u201cpor fruto de decis\u00f5es tomadas por quem tem o poder, mantendo as popula\u00e7\u00f5es embranquecidas mais protegidas\u201d. Ele completa com um exemplo na ponta contr\u00e1ria, ou seja, em benef\u00edcio do que chama de branquitude. \u201cObserve taxas de plantio de \u00e1rvores em grandes cidades. \u00c9 muito mais plantio e reposi\u00e7\u00e3o em \u00e1reas abastadas das cidades, onde moram uma maioria branca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Racismo ambiental<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-8.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-113212\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Participante de um debate sobre ancestralidade e crise clim\u00e1tica, tamb\u00e9m realizado nesta quarta-feira, em Bras\u00edlia, Aderbal Ashogun, coordenador nacional da Rede Afroambiental, enxerga que o fato de as consequ\u00eancias da emerg\u00eancia clim\u00e1tica afetarem mais as popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 desprivilegiadas acentua desigualdades. Para ele, essa diferen\u00e7a \u00e9 fruto de um racismo ambiental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO racismo ambiental \u00e9 justamente essa omiss\u00e3o do Estado que atinge \u00e1reas j\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, o impacto da n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas cidad\u00e3s nos territ\u00f3rios de alt\u00edssimas vulnerabilidades\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele acrescenta como exemplo a falta de saneamento das favelas, que as deixa em situa\u00e7\u00e3o de risco quando acontecem temporais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sustentabilidade<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/UNIAJVbT1joNSxg6OMoU3Yfq_m4=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/nego_bispo_-_foto_murilo_alvesso.jpg?itok=1lduhvi4\" alt=\"Crise clim\u00e1tica aprofunda desigualdades, dizem ativistas negros. - N\u00eago Bispo. Foto: Murilo Alvesso\" style=\"width:558px;height:auto\" title=\"Murilo Alvesso\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Al\u00e9m de identificar injusti\u00e7as e consequ\u00eancias para as popula\u00e7\u00f5es, especialistas acreditam que \u00e9 importante que as comunidades atuem na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e boas pr\u00e1ticas de manejo ambiental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPopula\u00e7\u00f5es negras j\u00e1 v\u00eam produzindo solu\u00e7\u00f5es, tem v\u00e1rios movimentos de favela, de periferia, melhorando esse debate sobre emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Trazem um olhar negro para essas quest\u00f5es\u201d, assinala Thales Vieira.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um exemplo, na avalia\u00e7\u00e3o dele, s\u00e3o quilombos, que ele classifica como espa\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia. \u201cO modo de vida pensando nesses movimentos de resist\u00eancia negra \u00e9 fincado em uma simbiose [associa\u00e7\u00e3o a longo prazo entre dois organismos] muito forte entre o homem e a natureza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Thales defende mais valoriza\u00e7\u00e3o desse conhecimento tradicional e lamenta o pouco espa\u00e7o que ainda tem nos debates p\u00fablicos. \u201cPouqu\u00edssimo acesso para intervir em pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio \u00e9 confirmado por N\u00eago Bispo, l\u00edder comunit\u00e1rio no quilombo Saco Curtume, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Piau\u00ed, no Piau\u00ed, uma \u00e1rea de caatinga. \u201cN\u00f3s somos muito chamados para fazer palestras, para fazer debates, mas n\u00e3o somos chamados para tomar decis\u00f5es\u201d, disse durante o encontro do Observat\u00f3rio da Branquitude.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Fundadora do coletivo Mulheres de Ax\u00e9 do Distrito Federal e do Entorno, Virg\u00ednia da Rosa atua no terreiro que recebe o semin\u00e1rio sobre ancestralidade e meio ambiente, em Bras\u00edlia. Ela destaca a rela\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00f5es culturais religiosas e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cA preserva\u00e7\u00e3o da natureza, das nossas folhas sagradas, das nossas \u00e1rvores sagradas \u00e9 fundamental, \u00e9 o pilar da nossa exist\u00eancia\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/uoCpmRDrcXQgvNKoJW_W4qE0VYU=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/virginia_da_rosa_coletivo_mulheres_de_axe_do_distrito_federal_e_entorno_-_arquivo_pessoal.jpg?itok=a9s21uPW\" alt=\"Crise clim\u00e1tica aprofunda desigualdades, dizem ativistas negros. Virg\u00ednia da Rosa, do Coletivo Mulheres do Ax\u00e9 do DF e Entorno. Foto: Arquivo Pessoal\" title=\"Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Virg\u00ednia defende que as comunidades devem fazer uma reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o com o consumo material. \u201c\u00c9 importante que o nosso povo reflita sobre o modo de exist\u00eancia que n\u00f3s queremos levar para o futuro, em que o nosso desejo de sociedade consumista, em que a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo leva ao esgotamento dos recursos naturais e impacta na preserva\u00e7\u00e3o da nossa identidade, da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela defende tamb\u00e9m um protagonismo da popula\u00e7\u00e3o negra no debate p\u00fablico. \u201cLevar essas preocupa\u00e7\u00f5es para dentro dos nossos terreiros, para dentro dos nossos movimentos, ampliar a participa\u00e7\u00e3o do movimento negro no debate da agenda clim\u00e1tica. A agenda clim\u00e1tica \u00e9 uma abordagem importante para o debate das desigualdades sociais e raciais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO tipo de vida de um sujeito moderno, branco, reflexo da coloniza\u00e7\u00e3o, empurra o mundo para a emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u201d. A declara\u00e7\u00e3o do codiretor-executivo do Observat\u00f3rio da Branquitude, Thales Vieira, representa a t\u00f4nica do semin\u00e1rio organizado nesta quarta-feira (8), no Rio de Janeiro, para debater a\u00e7\u00f5es da branquitude como respons\u00e1veis&nbsp;pela crise ambiental. 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