{"id":112563,"date":"2023-10-25T21:38:11","date_gmt":"2023-10-26T00:38:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=112563"},"modified":"2023-10-25T21:38:11","modified_gmt":"2023-10-26T00:38:11","slug":"ibge-pais-tem-21-milhoes-de-trabalhadores-de-plataformas-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=112563","title":{"rendered":"IBGE: pa\u00eds tem 2,1 milh\u00f5es de trabalhadores de plataformas digitais"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) traz uma radiografia do trabalho por meio de plataformas digitais no Brasil e aponta os desafios enfrentados pelos trabalhadores. De acordo com o levantamento, no setor privado, a popula\u00e7\u00e3o ocupada de 14 anos ou mais de idade somou 87,2 milh\u00f5es de pessoas&nbsp;no quarto&nbsp;trimestre do ano passado. Deste total, cerca de 2,1 milh\u00f5es realizavam trabalhos por meio de plataformas digitais, sendo 1,5 milh\u00e3o &#8211; ou 1,7% da popula\u00e7\u00e3o ocupada no setor privado &#8211; por meio de&nbsp;aplicativos de servi\u00e7os e, 628 mil, nas plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1562734&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1562734&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados fazem parte do m\u00f3dulo Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua), divulgados pela primeira vez pelo IBGE. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, \u201cas estat\u00edsticas s\u00e3o experimentais, ou seja, est\u00e3o em fase de teste e sob avalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cConsideramos fundamental a disponibiliza\u00e7\u00e3o de uma base de dados que possibilite melhor quantificar e compreender o fen\u00f4meno da plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho no pa\u00eds. Esse foi o objetivo da introdu\u00e7\u00e3o do m\u00f3dulo na pesquisa\u201d, afirmou Gustavo Geaquinto,&nbsp;analista do levantamento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O grupamento das&nbsp;atividades&nbsp;transporte, armazenagem e correio foi o que reuniu mais trabalhadores (67,3%). O grupo abrange tanto o servi\u00e7o de transporte de passageiros quanto os servi\u00e7os de entrega, que s\u00e3o os aplicativos mais frequentes. Em seguida, aparece o setor de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o, com 16,7%. \u201cAqui&nbsp;\u00e9 sobretudo por causa dos estabelecimentos de alimenta\u00e7\u00e3o, que usam as plataformas de entregas para clientes\u201d, disse Geaquinto.<\/p>\n\n\n\n<p>A categoria de emprego mais usada foi&nbsp;a &#8220;feita por conta pr\u00f3pria&#8221; (77,1%). \u201cEmpregados com carteira assinada eram apenas 5,9% dos plataformizados, enquanto no setor privado, os empregados com carteira eram 42,2 %. Havia uma forte preval\u00eancia dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria no trabalho plataformizado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho principal por meio de aplicativos de transporte de passageiros, em ao menos um dos dois tipos analisados de t\u00e1xi ou excluindo t\u00e1xi, alcan\u00e7ou 52,2%, ou 778 mil, do total de trabalhadores de plataformas. Nos aplicativos de entrega de comida ou&nbsp;produtos&nbsp;trabalhavam 39,5%, ou 589 mil. J\u00e1 os trabalhadores de aplicativos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os gerais ou profissionais representavam 13,2% ou 197 mil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Plataformas<\/h2>\n\n\n\n<p>O aplicativo de transporte particular de passageiros foi a plataforma digital mais utilizada pelos usu\u00e1rios (47,2%), seguido do servi\u00e7o de entrega de comida, produtos, etc (39,5%), do aplicativo de t\u00e1xi (13,9%) e do aplicativo de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os gerais ou profissionais (13,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem sido observado ao longo do tempo o aumento dessa forma de trabalho e esse fen\u00f4meno tem levado a importantes transforma\u00e7\u00f5es nos processos e nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, com impactos tanto no mercado de trabalho do pa\u00eds, como sobre neg\u00f3cios e pre\u00e7os de setores tradicionais da economia\u201d, afirmou o analista do IBGE. Geaquinto alertou&nbsp;que pode haver qualquer tipo de sobreposi\u00e7\u00e3o de uso de aplicativos de t\u00e1xi pelos trabalhadores e, por isso, a soma ultrapassa&nbsp;100%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regi\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o com maior percentual foi o Sudeste (2,2%), com 57,9%, ou 862 mil pessoas, do total de trabalhadores plataformizados, conforme denomina o IBGE essa&nbsp;parcela do mercado de trabalho. Segundo o levantamento, nas outras regi\u00f5es, o percentual de pessoas ocupadas que realizavam trabalho por meio de aplicativos de servi\u00e7os ficou entre 1,3% e 1,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior propor\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalhavam com aplicativos de transporte particular de passageiros, excluindo os de t\u00e1xi, estava na regi\u00e3o Norte: 61,2%, ou 14 pontos percentuais acima da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Os homens (81,3%) eram a maioria dos trabalhadores plataformizados. Segundo o levantamento, o percentual \u00e9 uma propor\u00e7\u00e3o muito maior que a m\u00e9dia geral dos trabalhadores ocupados (59,1%). As mulheres eram 18,7% do total desses trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na distribui\u00e7\u00e3o por idade, quase a metade (48,4%) das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de trabalho estavam no grupo de 25 a 39.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Escolaridade<\/h2>\n\n\n\n<p>Em termos de n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, os plataformizados concentravam-se nos n\u00edveis intermedi\u00e1rios de escolaridade, com preponder\u00e2ncia no n\u00edvel m\u00e9dio completo ou superior incompleto (61,3%), que correspondia a 43,1% do total da popula\u00e7\u00e3o ocupada que n\u00e3o utilizava plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores plataformizados tinham, no 4\u00ba trimestre de 2022, rendimento 5,4% maior (R$ 2.645) que o rendimento m\u00e9dio do total de ocupados (R$ 2.513). Na mesma compara\u00e7\u00e3o, eram os que trabalhavam mais horas semanais: 46h contra 39,6h.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara os dois grupos menos escolarizados, o rendimento m\u00e9dio mensal real das pessoas que trabalhavam por meio de aplicativos de servi\u00e7o ultrapassava em mais de 30% o rendimento das que n\u00e3o faziam uso dessas ferramentas digitais. Por outro lado, entre as pessoas com o n\u00edvel superior completo, o rendimento dos plataformizados (R$ 4.319) era 19,2% inferior ao daqueles que n\u00e3o trabalhavam por meio de aplicativos de servi\u00e7os (R$ 5.348)\u201d, apontou o levantamento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na distribui\u00e7\u00e3o por cor e ra\u00e7a, n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as significativas entre os plataformizados e os que n\u00e3o utilizavam plataformas. Os brancos representavam 44% dos plataformizados contra 43,9%, os pretos eram 12,2% contra 11,5% e os pardos 42,4 contra 43,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>No 4\u00ba trimestre de 2022, apenas 35,7% dos plataformizados eram contribuintes da previd\u00eancia, enquanto entre os ocupados no setor privado eram 60,8%. Na informalidade a propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores plataformizados (70,1%) era superior \u00e0 do total de ocupados no setor privado (44,2%). O dado de informalidade se refere exclusivamente ao trabalho principal da pessoa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia<\/h2>\n\n\n\n<p>A coleta dos dados do m\u00f3dulo in\u00e9dito Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da PNAD Cont\u00ednua se refere ao 4\u00ba trimestre de 2022 entre a popula\u00e7\u00e3o ocupada de 14 anos ou mais de idade, exclusivamente o setor p\u00fablico e militares. O levantamento foi feito com base no trabalho \u00fanico ou principal que a pessoa tinha na semana de refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE destacou que conforme a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) definiu em 2021, \u201cas plataformas digitais de trabalho (ou de servi\u00e7os),viabilizam o trabalho por meio de tecnologias digitais que possibilitam a intermedia\u00e7\u00e3o entre fornecedores individuais (trabalhadores plataformizados e outras empresas) e clientes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Repercuss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, Rodrigo Carelli, esse levantamento do IBGE joga luz no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA fun\u00e7\u00e3o das plataformas \u00e9 reduzir a remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u00c9 uma coisa a olhos vistos, mas agora\u00a0temos uma fotografia estat\u00edstica que mostra isso. \u00c9 de extrema import\u00e2ncia e est\u00e1 dando luz para o problema dentro do mercado de trabalho. Na verdade, est\u00e3o corrigindo uma aus\u00eancia. Com o crescimento do jeito que foi j\u00e1 tem uma representatividade importante no mercado de trabalho, e isso tem que ter um raio X. Acho que foi muito bem feito e muito bem organizado, inclusive colocando tudo em seu devido lugar.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Carelli, a compara\u00e7\u00e3o de trabalhadores na mesma fun\u00e7\u00e3o dentro e fora das plataformas mostra a diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs trabalhadores que trabalham fora das plataformas, tanto entregadores como motoristas, recebem mais fora das plataformas. Esse para mim \u00e9 o dado mais importante que tem dessa parte de remunera\u00e7\u00e3o\u201d, disse, em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, refor\u00e7ando que as compara\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser feitas em uma mesma profiss\u00e3o para avaliar o rendimento de cada um.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEntregador nas plataformas e entregador fora da plataforma. Eu n\u00e3o posso comparar um m\u00e9dico na plataforma com um entregador. N\u00e3o tenho que comparar com o resto da popula\u00e7\u00e3o brasileira, porque as plataformas s\u00e3o somente um meio de gest\u00e3o de trabalho. A parte mais importante que tem no achado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente essa. Trabalhadores com o mesmo tipo de trabalhador. Se ele for trabalhar fora da plataforma ele ganha mais que na plataforma e ainda tem o achado que eles trabalham muito mais horas nas plataformas do que fora das plataformas\u201d, observou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA gente n\u00e3o pode colocar tudo no mesmo balaio. Eu acho que eles [IBGE] tratam bem isso, quando eles dividem por profiss\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) traz uma radiografia do trabalho por meio de plataformas digitais no Brasil e aponta os desafios enfrentados pelos trabalhadores. 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