{"id":112550,"date":"2023-10-25T21:25:35","date_gmt":"2023-10-26T00:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=112550"},"modified":"2023-10-25T21:25:35","modified_gmt":"2023-10-26T00:25:35","slug":"restricoes-impostas-pela-milicia-no-rio-vao-de-agua-a-convivio-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=112550","title":{"rendered":"Restri\u00e7\u00f5es impostas pela mil\u00edcia no Rio v\u00e3o de \u00e1gua a conv\u00edvio social"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cO transporte p\u00fablico sendo queimado \u00e9 s\u00f3 a ponta de um problema gigantesco que a gente vive na zona oeste\u201d, diz um morador*&nbsp;do Rio de Janeiro onde 35 \u00f4nibus e um trem foram&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-10\/criminosos-incendeiam-29-onibus-na-zona-oeste-do-rio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">queimados<\/a>&nbsp;na segunda-feira (24) pela maior mil\u00edcia do estado.&nbsp; Ele conta que, no dia a dia, paga mais caro por itens como gal\u00f5es de \u00e1gua e botij\u00e3o de g\u00e1s, al\u00e9m de n\u00e3o poder escolher servi\u00e7os de internet ou de TV a cabo, sendo obrigado a contratar aqueles que s\u00e3o controlados pelas mil\u00edcias. &nbsp;&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1562607&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1562607&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAt\u00e9 a \u00e1gua que a gente bebe \u00e9 determinada, \u00e0s vezes, pela mil\u00edcia. Eu posso comprar no raio da minha casa por um valor. Se eu trabalho em outro bairro mais distante, e l\u00e1 for mais barato, eu n\u00e3o posso levar para onde eu moro por risco de sofrer alguma viol\u00eancia. Eles impactam muito o ir e vir das pessoas. \u00c9 muito complicado, complicado at\u00e9 de falar. \u00c9 um sil\u00eancio que parece calma, mas \u00e9 medo\u201d, afirma. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira, os ve\u00edculos foram queimados em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de Matheus da Silva Rezende, o Faust\u00e3o, ligado \u00e0 mil\u00edcia e que foi morto pela pol\u00edcia. A rea\u00e7\u00e3o do crime organizado \u00e9 considerada pela Rio \u00d4nibus o maior ataque \u00e0 frota da cidade j\u00e1 realizado em um \u00fanico dia. A a\u00e7\u00e3o, classificada de terrorista pelo governo do estado, chamou a aten\u00e7\u00e3o para as mil\u00edcias, cujo dom\u00ednio cresce no Rio de Janeiro. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, cerca de 20% da \u00e1rea da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro \u00e9 controlada por algum grupo armado, e as mil\u00edcias dominam metade dessas \u00e1reas, conforme o&nbsp;<a href=\"https:\/\/fogocruzado.org.br\/mapa-historico-dos-grupos-armados\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa dos Grupos Armados<\/a>, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (24), em uma parceria do Instituto Fogo Cruzado com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF). Em 16 anos, as \u00e1reas dominadas pelas mil\u00edcias cresceram 387%.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, as mil\u00edcias s\u00e3o grupos paramilitares formados tanto por servidores p\u00fablicos da \u00e1rea de seguran\u00e7a quanto por civis da \u00e1rea de seguran\u00e7a. Segundo o professor Jos\u00e9 Claudio Sousa Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, as mil\u00edcias desenvolvem-se a partir dos grupos de exterm\u00ednio, que se formaram a partir dos anos 1990. As rela\u00e7\u00f5es foram se tornando mais complexas e, de acordo com Alves, h\u00e1 acordos de mil\u00edcias&nbsp;com fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico. N\u00e3o se trata de uma \u00fanica mil\u00edcia, s\u00e3o grupos que inclusive rivalizam entre si. Por terem surgido de dentro do estado, s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es que guardam prote\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia tanto dentro das for\u00e7as de seguran\u00e7a quanto na pol\u00edtica. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Alves, os ataques aos ve\u00edculos mostram a amplitude das \u00e1reas sob dom\u00ednio de tais organiza\u00e7\u00f5es, que \u201cv\u00eam crescendo e aprofundando a capacidade de atua\u00e7\u00e3o e est\u00e3o sendo capazes de alterar o cen\u00e1rio muito rapidamente, de fazer alian\u00e7as e continuar com estrutura de poder\u201d. \u201cO poder miliciano est\u00e1 muito mais amplo e muito mais penetrado na estrutura social e geogr\u00e1fica de todo esse eixo da Zona Oeste, de Santa Cruz, Recreio, Barra, passando todos esses territ\u00f3rios, manifestando o seu poder agora, poder muito mais consolidado\u201d, acrescenta o professor. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aumento da viol\u00eancia &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o nos territ\u00f3rios controlados por esses grupos prosseguiu nesta ter\u00e7a-feira. \u201cEnquanto a gente est\u00e1 falando, a pol\u00edcia est\u00e1 passando. \u00c9 tens\u00e3o que n\u00e3o cessa. Est\u00e3o mandando o com\u00e9rcio fechar. Os comerciantes, al\u00e9m de pagar sobretaxa, sofrem viol\u00eancias, e esse tensionamento agora interfere na vida econ\u00f4mica das fam\u00edlias. Quem tem com\u00e9rcio, quem vende um lanche, quem tem sorveteria, uma coisa pequena, est\u00e1 fechado neste momento. Bem cruel a nossa vida nesse cen\u00e1rio\u201d, diz o morador da zona oeste.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A apreens\u00e3o permanece no dia a dia, quando as pessoas precisam pagar uma taxa mensal para que seja feita a seguran\u00e7a local. \u201cAs pessoas das casas pagam taxa mensal de seguran\u00e7a, que a gente n\u00e3o sabe que seguran\u00e7a que \u00e9, na verdade. \u00c9 o inverso disso. Pagam uma taxa para n\u00e3o sofrer uma viol\u00eancia de quem lhes cobra.\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Instituto Fogo Cruzado mostram que o n\u00famero de mortos a tiros na zona oeste mais do que dobrou, registrando aumento de 127% de 2022 para 2023. De janeiro a outubro deste ano, foram 248 mortes, contra 109 no mesmo per\u00edodo de 2022. O n\u00famero de tiroteios aumentou 55%: foram 475 de janeiro a outubro de 2022, e 737 de janeiro a outubro de 2023.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o instituto, as chacinas tamb\u00e9m dispararam. Foram quatro chacinas entre janeiro e outubro de 2022, que deixaram 12 mortos. No mesmo per\u00edodo deste ano, foram oito casos, com 50 mortos. Enquanto, em 2022, houve uma chacina policial, com tr\u00eas mortos, em 2023, foram oito chacinas policiais, com 28 mortos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o coordenador do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, Carlos Nhanga, a rela\u00e7\u00e3o entre a mil\u00edcia e o Estado \u00e9 o que mais dificulta o combate a esses grupos. \u201cO fato dela estar intrinsecamente ligada ao Estado hoje \u00e9 o maior problema do enfrentamento \u00e0s mil\u00edcias e ao crime organizado como um todo. Voc\u00ea tem agentes com informa\u00e7\u00f5es privilegiadas do poder p\u00fablico cedendo essas informa\u00e7\u00f5es para o crime organizado. \u00c9 muito dif\u00edcil imaginar que haja um combate de fato efetivo para frear a atua\u00e7\u00e3o da mil\u00edcia\u201d, diz Nhanga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Combate \u00e0s mil\u00edcias&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s os ataques, o governador do Rio de Janeiro, Cl\u00e1udio Castro, determinou que&nbsp;<a href=\"http:\/\/https\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-10\/crime-organizado-e-problema-de-todo-o-brasil-diz-governador-do-rio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">toda a for\u00e7a policial do estado esteja nas ruas<\/a>, com o uso de viaturas, carros blindados, helic\u00f3pteros e drones. Ap\u00f3s os inc\u00eandios criminosos de segunda-feira, 12 pessoas foram detidas. Segundo Castro, seis foram liberadas por aus\u00eancia de \u201cind\u00edcio de autoria e materialidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pol\u00edcia, o homem morto, que desencadeou os ataques, conhecido como Faust\u00e3o, era o n\u00famero 2 na hierarquia da mil\u00edcia em Santa Cruz e Campo Grande, na zona este. O l\u00edder Zinho (Luis Ant\u00f4nio da Silva Braga), l\u00edder da mesma organiza\u00e7\u00e3o, Tandera (chefe de outra mil\u00edcia) e Abelha (l\u00edder do Comando Vermelho) s\u00e3o procurados pela pol\u00edcia, informou o governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto Alves quanto Nhanga defendem a\u00e7\u00f5es estruturais para enfrentar o crime organizado. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A busca por l\u00edderes de determinadas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o vai, sozinha, solucionar a quest\u00e3o, afirma Nhanga. \u201cAno ap\u00f3s ano, tanto o Estado quanto a imprensa elegem ali o bandido mais procurado e mais perigoso do Rio de Janeiro e, como consequ\u00eancia disso, temos v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es, tiroteios, mortes, impactos nos servi\u00e7os p\u00fablicos durante essa ca\u00e7a a um t\u00edtulo que se renova anualmente\u201d, diz. \u201cS\u00e3o diferentes nomes, mas sempre com o estado operando como mesmo m\u00e9todo, individualizar, personificar toda uma estrutura criminosa numa mesma pessoa para dar uma sensa\u00e7\u00e3o de combate ao crime organizado.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o coordenador do Instituto Fogo Cruzado, dados como os levantados pela institui\u00e7\u00e3o podem ser \u00fateis para desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para as \u00e1reas de maior crescimento do crime organizado e para tra\u00e7ar tend\u00eancias que podem ajudar o estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Alves diz que, para haver uma solu\u00e7\u00e3o, primeiro, seria necess\u00e1rio reconfigurar a estrutura da seguran\u00e7a p\u00fablica, indo al\u00e9m do conflito b\u00e9lico, que, segundo ele, tem sido a pol\u00edtica p\u00fablica praticada. \u201cTem que mudar a raiz dos confrontos, tem que dialogar com a popula\u00e7\u00e3o de cada regi\u00e3o. As pessoas t\u00eam que se transformar, elas pr\u00f3prias, em autoras de pol\u00edticas p\u00fablicas que v\u00e3o ajudar a resolver seus problemas. N\u00e3o podem ser meramente massa de manobra eleitoral. \u00c9 preciso mudar a forma de lidar com a popula\u00e7\u00e3o, transform\u00e1-la em uma popula\u00e7\u00e3o ativa.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alves defende ainda pol\u00edticas voltadas para a cultura, para atividades que deem perspectiva de vida e de renda aos jovens, especialmente nas regi\u00f5es mais pobres. Isso far\u00e1 com que eles sejam menos cooptados pelo crime organizado. \u201cSe n\u00e3o caminha nessas dire\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vai resolver esse problema nunca. Pode matar quantos voc\u00ea quiser dizendo que est\u00e1 resolvendo o problema. Isso \u00e9 uma balela, \u00e9 uma mentira. Voc\u00ea est\u00e1 \u00e9 empurrando o problema, ampliando o problema\u201d, diz o professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*O morador da zona oeste entrevistado pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>n\u00e3o foi identificado por quest\u00e3o de seguran\u00e7a<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO transporte p\u00fablico sendo queimado \u00e9 s\u00f3 a ponta de um problema gigantesco que a gente vive na zona oeste\u201d, diz um morador*&nbsp;do Rio de Janeiro onde 35 \u00f4nibus e um trem foram&nbsp;queimados&nbsp;na segunda-feira (24) pela maior mil\u00edcia do estado.&nbsp; Ele conta que, no dia a dia, paga mais caro por itens como gal\u00f5es de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":113126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[11],"class_list":{"0":"post-112550","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-destaque"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/112550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=112550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/112550\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/113126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=112550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=112550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=112550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}