{"id":111777,"date":"2023-10-11T16:42:40","date_gmt":"2023-10-11T19:42:40","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=111777"},"modified":"2023-10-11T16:42:40","modified_gmt":"2023-10-11T19:42:40","slug":"brasil-tem-credencial-para-negociar-com-israel-e-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=111777","title":{"rendered":"Brasil tem credencial para negociar com Israel e Palestina"},"content":{"rendered":"\n<p>Professores das universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) consideram que o Brasil tem credenciais para atuar como mediador entre israelenses e palestinos. Para eles, al\u00e9m do papel hist\u00f3rico de Oswaldo Aranha &#8211; que presidiu sess\u00e3o da Assembleia Geral da ONU em 1947 para discutir a cria\u00e7\u00e3o de dois Estados, um para os judeus, outros para os \u00e1rabes &#8211; o pa\u00eds mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Israel e Palestina, tradicionalmente defende o respeito \u00e0s leis internacionais e busca solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1560346&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1560346&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOswaldo Aranha foi&nbsp;importante nesse processo, porque n\u00e3o se limitou a presidir de&nbsp;maneira indiferente a vota\u00e7\u00e3o. Ele se empenhou para que a divis\u00e3o fosse reconhecida e aquela situa\u00e7\u00e3o fosse resolvida, de modo que&nbsp;cada povo fosse acomodado e constru\u00edsse o seu Estado. Portanto, Oswaldo Aranha agiu todo o tempo de boa-f\u00e9, interessado em resolver o&nbsp;conflito envolvendo os dois Estados\u201d, explica Williams Gon\u00e7alves, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Uerj.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fernando Brancoli, professor de Seguran\u00e7a Internacional e Geopol\u00edtica da UFRJ, Oswaldo Aranha \u00e9 visto dentro de Israel como figura importante por seu papel na solu\u00e7\u00e3o de dois Estados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rico<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1947, a pedido do Reino Unido, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas&nbsp;foi provocada a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o da Palestina. A \u00e1rea, que por s\u00e9culos pertencera ao Imp\u00e9rio Otomano, e havia tr\u00eas d\u00e9cadas estava sob controle dos brit\u00e2nicos, vinha recebendo milhares de imigrantes judeus, procedentes&nbsp;de v\u00e1rias partes do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os judeus passaram de 10% para 30% do total da popula\u00e7\u00e3o na Palestina nas tr\u00eas d\u00e9cadas de dom\u00ednio brit\u00e2nico. A recomposi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica passou a gerar conflitos entre os dois grupos: os judeus e os \u00e1rabes-palestinos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem conseguir resolver os conflitos, com ataques de ambos os lados, o poder colonial se preparava para deixar o local e esperava uma solu\u00e7\u00e3o para a Palestina. Para isso, deixou a quest\u00e3o com a ONU.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O assunto foi levado \u00e0 Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em abril daquele ano. Para presidir a sess\u00e3o aberta para discutir a quest\u00e3o, foi eleito o representante brasileiro, Oswaldo Aranha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a coordena\u00e7\u00e3o de Aranha, nascia, nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, a solu\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o: a divis\u00e3o da Palestina em dois estados, um para os judeus e outro para os \u00e1rabes. O Brasil foi um dos pa\u00edses que defendeu a proposta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Solu\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis<\/h2>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO&nbsp;Brasil historicamente se constr\u00f3i como um pa\u00eds que tenta encontrar solu\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis e um meio-termo entre os diversos advers\u00e1rios. O Brasil refor\u00e7a o papel do direito internacional ao longo de&nbsp;sua hist\u00f3ria. N\u00f3s somos o pa\u00eds que mais participa do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU como membro n\u00e3o permanente. Constru\u00edmos historicamente, aos trancos e barrancos, a ideia de um pa\u00eds que \u00e9 mediador, e a gente j\u00e1 atuou em diversos momentos a respeito disso, principalmente aqui na Am\u00e9rica Latina\u201d, explica Brancoli.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Gon\u00e7alves, a diplomacia brasileira tem credibilidade internacional para participar da solu\u00e7\u00e3o de conflitos. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO Brasil n\u00e3o \u00e9 uma grande pot\u00eancia, ent\u00e3o n\u00e3o gerou inimizades, n\u00e3o tem conflito com os seus vizinhos. Outro fator\u00a0que favorece a intermedia\u00e7\u00e3o, no meu ponto de vista, \u00e9 que o Brasil sempre teve a posi\u00e7\u00e3o de defesa da exist\u00eancia dos dois Estados. O Brasil reconhece o Estado de Israel, mas reconhece o direito dos palestinos de ter\u00a0seu pr\u00f3prio Estado\u201d, afirma o professor da Uerj.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Participar da media\u00e7\u00e3o do conflito, no entanto, n\u00e3o depende apenas de credenciais diplom\u00e1ticas. Como presidente rotativo do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, o Brasil deu o&nbsp;primeiro passo para tentar evitar um aumento dos confrontos entre Israel e o Hamas (grupo pol\u00edtico e militar que controla a Faixa de Gaza).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no s\u00e1bado (7), logo depois do ataque do Hamas a cidad\u00e3os israelenses, o Brasil convocou reuni\u00e3o de emerg\u00eancia do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU para discutir o conflito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Brancoli acredita, no entanto, que, neste momento, dificilmente o Brasil ter\u00e1 algum papel mais efetivo na interrup\u00e7\u00e3o do conflito. \u201cA gente est\u00e1 hoje no pior&nbsp;momento, entre Israel e Palestina, do ponto de vista de tentativas de media\u00e7\u00e3o em 40 anos. Neste momento, \u00e9 imposs\u00edvel. Ningu\u00e9m consegue efetivamente mediar um acordo de paz imediato, at\u00e9 mesmo cessar-fogo. Acho que pouqu\u00edssimos pa\u00edses conseguiriam\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o que o Brasil pode fazer neste momento \u00e9 contribuir com ajuda humanit\u00e1ria e com a retirada de civis da \u00e1rea de conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Gon\u00e7alves, qualquer acordo entre as partes n\u00e3o depende apenas de mediadores. \u00c9 importante que os dois lados tenham boa vontade de negociar e estejam dispostos a fazer concess\u00f5es. .<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cQuando falamos em negocia\u00e7\u00e3o, falamos necessariamente de&nbsp;concess\u00f5es. N\u00e3o pode haver negocia\u00e7\u00e3o em que as duas partes s\u00e3o intransigentes, em que as duas partes n\u00e3o admitam qualquer concess\u00e3o. A\u00ed n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 intermedi\u00e1rio que agrade a ningu\u00e9m\u201d, conclui o professor da Uerj.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores das universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) consideram que o Brasil tem credenciais para atuar como mediador entre israelenses e palestinos. 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