{"id":111588,"date":"2023-10-09T08:26:57","date_gmt":"2023-10-09T11:26:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=111588"},"modified":"2023-10-09T08:26:57","modified_gmt":"2023-10-09T11:26:57","slug":"jovens-ribeirinhos-no-amazonas-viram-reporteres-da-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=111588","title":{"rendered":"Jovens ribeirinhos no Amazonas viram &#8220;rep\u00f3rteres da floresta&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Da comunidade de Tr\u00eas Unidos, a cinco horas de barco de Manaus, a estudante Tainara Cruz, de 19 anos, do povo kambeba, se apresenta como comunicadora e ativista ambiental. As postagens dela s\u00e3o acompanhadas por mais de 20 mil seguidores no Instagram. Antes, as pessoas a viam como t\u00edmida e reservada. Gravar sobre o que d\u00f3i ou a alegra gerou uma voca\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1559754&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1559754&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOuvimos falar bastante na m\u00eddia sobre a quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Mas o que pouco se fala \u00e9 que elas tamb\u00e9m provocam consequ\u00eancias para a gente, povos ind\u00edgenas que sofremos com a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas m\u00e9dias\u201d, diz em uma das postagens.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-111589\" style=\"width:482px;height:322px\" width=\"482\" height=\"322\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Desde 2021, a estudante passou a falar de tudo: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, marco temporal, hist\u00f3rias dos povoados, a planta\u00e7\u00e3o e a seca que mudou o cen\u00e1rio na Amaz\u00f4nia. Ela descobriu a vontade de se expressar depois que participou de uma oficina de um projeto chamado \u201cRep\u00f3rteres da Floresta\u201d, uma iniciativa da&nbsp;<a href=\"https:\/\/fas-amazonia.org\/\">Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel<\/a>&nbsp;(FAS), organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil sem fins lucrativos. Gostou tanto de se expressar que j\u00e1 sabe o que deseja cursar no ensino superior: quer ser jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a ver o mundo de forma muito diferente. Senti uma paix\u00e3o por isso. Como \u00e9 lindo saber sobre escrita e leitura\u201d, diz a estudante. Atualmente, ela divide o tempo de estudos com um trabalho como secret\u00e1ria em Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas descobriu a miss\u00e3o de vida. \u201cQuero mobilizar os povos ind\u00edgenas para resolver os problemas que nos afetam\u201d. Entre eles, atualmente, a seca na Amaz\u00f4nia a preocupa. Com a estiagem, v\u00ea queimadas, o Rio Cuieiras secar e, com isso, macaxeira e abacaxi, que sempre foram pr\u00f3digos na terra do seu povoado, demorarem a brotar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o prato que todos mais admiram no lugarejo, o fani, est\u00e1 dif\u00edcil de fazer, j\u00e1 que a receita \u00e9 com macaxeira e pirarucu, o peixe que est\u00e1 cada vez mais raro. Com a escassez, teve que ir para Manaus para trabalhar, o que diminuiu a frequ\u00eancia das postagens, mas n\u00e3o a vontade de ser como uma porta-voz.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/abAEf4YyehBq_ODbAxyfSr9NUSM=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/oficina_reporteres_da_floresta_2022_creditos_julia_de_freitas_8.jpeg?itok=9MyjrZPw\" alt=\"Amazonas - Oficina Rep\u00f3rteres da Floresta 2022. Foto: Julia de Freitas\" style=\"width:668px;height:456px\" width=\"668\" height=\"456\" title=\"Julia de Freitas\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Engajamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Empoderar pessoas de comunidades tradicionais \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o dos idealizadores do projeto, conforme explica Valcleia Solidade, de 54 anos, superintendente do desenvolvimento sustent\u00e1vel da FAS. \u201cA ideia foi trazer algo diferente para engajar mais os jovens das comunidades a participar das atividades e que retratasse a realidade da comunidade em seu dia a dia\u201d. Desde 2014, a iniciativa j\u00e1 formou mais de 300 participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual edi\u00e7\u00e3o do projeto deve contemplar, at\u00e9 o final de 2023, ao menos 120 alunos de mais de 20 comunidades situadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) do Rio Negro, Uatum\u00e3, Uacari, Juma e Mamirau\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rep\u00f3rteres da Floresta tem m\u00f3dulos te\u00f3ricos, em que os jovens aprendem t\u00e9cnicas de fotografia, v\u00eddeo, \u00e1udio, ilumina\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o; e a pr\u00e1tica, em que os alunos v\u00e3o a campo. Os jovens produzem podcasts e entrevistas com pessoas de suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho desenvolvido com os jovens toca fundo em Valcleia Solidade, que nasceu comunidade quilombola Mururu, em Santar\u00e9m. \u201cTive que sair da minha comunidade com 12 anos de idade porque n\u00e3o tinha escola. A\u00ed fui trabalhar como bab\u00e1 na cidade\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conseguiu estudar e mudar o rumo da vida, e poder atuar pelas comunidades ribeirinhas. Para ela, os principais problemas que atravessam s\u00e3o a log\u00edstica (porque dependem exclusivamente de rios), a energia, e a comunica\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 ainda hoje uma dificuldade em receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es\u201d. H\u00e1 nove n\u00facleos no Amazonas (com internet) onde o projeto est\u00e1 em funcionamento\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por tr\u00e1s das c\u00e2meras<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro rep\u00f3rter da floresta \u00e9 Jeferson Rodrigues, de 23 anos, morador da comunidade ribeirinha Tumbira, em Iranduba (AM), tamb\u00e9m \u00e0s margens do Rio Negro, e a mais de uma hora de lancha de Manaus.&nbsp; Ele gosta mesmo de produzir e ficar por tr\u00e1s das c\u00e2meras porque ainda se julga t\u00edmido.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem trabalha como pintor (de casas a artesanato) e descobriu nas c\u00e2meras um sonho de vida. \u201cQuero me profissionalizar nessa \u00e1rea\u201d. Ele gosta de olhar e fazer imagens da natureza.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p> \u201cA comunica\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 voz, para dizer onde d\u00f3i, onde tem de melhorar, o que est\u00e1 certo e o que est\u00e1 errado\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da comunidade de Tr\u00eas Unidos, a cinco horas de barco de Manaus, a estudante Tainara Cruz, de 19 anos, do povo kambeba, se apresenta como comunicadora e ativista ambiental. As postagens dela s\u00e3o acompanhadas por mais de 20 mil seguidores no Instagram. Antes, as pessoas a viam como t\u00edmida e reservada. Gravar sobre o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":111591,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33,25],"tags":[],"class_list":{"0":"post-111588","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-norte","8":"category-regional"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/111588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=111588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/111588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/111591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=111588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=111588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=111588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}