{"id":107388,"date":"2023-09-01T17:49:05","date_gmt":"2023-09-01T20:49:05","guid":{"rendered":"https:\/\/atividadenews.com.br\/?p=107388"},"modified":"2023-09-01T17:49:05","modified_gmt":"2023-09-01T20:49:05","slug":"dieese-greves-caem-ao-menor-patamar-em-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=107388","title":{"rendered":"Dieese: greves caem ao menor patamar em dez anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Descontado os dois anos da pandemia de covid-19, o primeiro semestre de 2023 teve o menor n\u00famero de greves desde 2014, segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). Foram feitas, segundo a pesquisa, 558 paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores de janeiro a junho. Em 2022, no mesmo per\u00edodo, foram 679. Em 2014, foram 1.233 mobiliza\u00e7\u00f5es nos primeiros seis meses do ano.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1552732&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1552732&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos movimentos realizados neste ano partiu de funcion\u00e1rios do setor p\u00fablico (60,8%). Em 37,5% as greves foram feitas por funcion\u00e1rios de empresa privadas, enquanto 1,8% das paralisa\u00e7\u00f5es envolveu as duas categorias de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O reajuste salarial \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o que mais aparece como motiva\u00e7\u00e3o das greves (41,6%), seguida&nbsp;por pagamento do piso salarial para as categorias (32,8%). No entanto, tamb\u00e9m s\u00e3o significativos os movimentos que t\u00eam na pauta a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho (21,5%) e o pagamento de sal\u00e1rios em atraso (20,1%). Em 65% dos conflitos, houve atendimento ao menos parcial das demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas greves do servi\u00e7o p\u00fablico, a maior parte partiu de trabalhadores municipais (74%), enquanto servidores estaduais protagonizaram 20,7% dos movimentos e federais 4,3%. Nesses movimentos, o reajuste salarial e pagamento dos pisos de categoria continuam a ser as reivindica\u00e7\u00f5es mais importantes, presentes em 54,5% e 52,3% das mobiliza\u00e7\u00f5es, respectivamente. Por\u00e9m, a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho tem maior import\u00e2ncia na pauta dessas paralisa\u00e7\u00f5es, presente em 30% das pautas, e a melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos tamb\u00e9m foi reivindicada em 27,9% dessas greves.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas greves do setor privado, 49,3% das mobiliza\u00e7\u00f5es pediam pagamento de sal\u00e1rios em atraso. As reivindica\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o, como pagamento de vales e aux\u00edlios, v\u00eam em segundo lugar de import\u00e2ncia, presentes em 36,4% dos movimentos enquanto os pedidos de reajuste salarial aparecem em terceiro lugar, em 23,4% das greves.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Incertezas<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o soci\u00f3logo do Dieese, Rodrigo Linhares, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de greves se deve, em parte, a uma menor sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a dos trabalhadores devido \u00e0s sucessivas crises nos \u00faltimos anos. \u201cOs movimentos de greves s\u00e3o sempre deflagrados tendo em conta uma expectativa plaus\u00edvel de ganho\u201d, enfatiza. \u201cQuando existe inseguran\u00e7a no ar, isso j\u00e1 \u00e9 um motivo para que nas assembleias trabalhadores de empresas privadas ou do Estado fiquem mais reticentes na hora de votar a deflagra\u00e7\u00e3o de uma greve\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as reformas trabalhista e sindical impactaram, segundo o especialista, na capacidade dos sindicatos em promover mobiliza\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es. \u201cOs sindicatos tinham que se virar com um corte grande de recursos, dispensar funcion\u00e1rios, assessores\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Privatiza\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Linhares, Soma-se a esta situa\u00e7\u00e3o a crescente privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, atrav\u00e9s das terceiriza\u00e7\u00f5es, fortemente presentes em setores como a sa\u00fade e a limpeza urbana. \u201cTerceiriza\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico raramente foge ao esquema que \u00e9: deprecia\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o prestado, descumprimento de leis trabalhistas e m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo, o soci\u00f3logo cita as Linhas 8 &#8211; Diamante e Linha 9 &#8211; Esmeralda do sistema de trens metropolitanos de S\u00e3o Paulo, que desde janeiro de 2022 s\u00e3o administradas pela Via Mobilidade. Em agosto, a empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo que prev\u00ea o pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais coletivos de R$ 150 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, se a gente for comparar os danos a popula\u00e7\u00e3o&nbsp;causados pela paralisa\u00e7\u00e3o dos metrovi\u00e1rios, e comparar com o n\u00famero quase semanal que ocorrem nas linhas privatizadas de trem, d\u00e1 para dizer, com certeza, que o passageiro das linhas privatizadas sofre muito mais do que o passageiro do metr\u00f4 estatal estadual\u201d, destacou o especialista, levando em considera\u00e7\u00e3o de que as greves, muitas vezes, s\u00e3o usadas como argumento para realizar as privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de S\u00e3o Paulo se prepara para fazer novas concess\u00f5es de linhas de trens e metr\u00f4, em 11 leil\u00f5es at\u00e9 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descontado os dois anos da pandemia de covid-19, o primeiro semestre de 2023 teve o menor n\u00famero de greves desde 2014, segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). 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