{"id":107346,"date":"2023-09-01T15:13:12","date_gmt":"2023-09-01T18:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/atividadenews.com.br\/?p=107346"},"modified":"2023-09-01T15:13:12","modified_gmt":"2023-09-01T18:13:12","slug":"paralimpiadas-44-alunos-da-rede-publica-do-df-participam-da-competicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=107346","title":{"rendered":"Paralimp\u00edadas: 44 alunos da rede p\u00fablica do DF participam da competi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Quatro treinos por semana, cada um com dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de duas horas. O caminho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas, para Adryan Eduardo dos Santos, 11 anos, vale a pena. Estudante de escola p\u00fablica, ele \u00e9 um dos 51 atletas do Distrito Federal que competem na segunda etapa regional das Paralimp\u00edadas Escolares 2023, sediada em Bras\u00edlia. Do total de participantes brasilienses, 44 s\u00e3o de escolas p\u00fablicas e sete de institui\u00e7\u00f5es privadas. O evento come\u00e7ou na quarta (30) e segue at\u00e9 esta sexta-feira (1\u00ba), no Clube do Ex\u00e9rcito e no Centro Interescolar de Esporte (Cief).<\/p>\n\n\n\n<p>Morador de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Adryan nasceu com uma m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita nos membros inferiores. Em 2022, a m\u00e3e dele, a aut\u00f4noma Alessandra Aparecida dos Santos, 46 anos, descobriu o Centro Ol\u00edmpico da cidade e decidiu inscrever a crian\u00e7a nas aulas de nata\u00e7\u00e3o. Mas, \u00e0 \u00e9poca, a modalidade n\u00e3o estava dispon\u00edvel e o menino passou a praticar atletismo. Os resultados foram surpreendentes e ele chegou a viajar para S\u00e3o Paulo para competir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro deste ano, surgiu a oportunidade de nadar. Adryan revela que aprendeu tudo do zero. \u201cN\u00e3o sabia fazer borboleta, nem ondula\u00e7\u00e3o, e agora eu sei fazer todos os tipos de nado\u201d, cita. \u201cA nata\u00e7\u00e3o me ajudou muito. Se eu n\u00e3o fizesse, ia ficar s\u00f3 dentro de casa, na frente da televis\u00e3o. Provavelmente ia engordar muito. A nata\u00e7\u00e3o ajuda a desenvolver a musculatura dos bra\u00e7os, ajuda a emagrecer. E tamb\u00e9m, se algum dia eu estiver num navio e ele afundar, eu sei nadar, ent\u00e3o, vou poder me salvar\u201d, brinca o garoto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Alessandra, ver o menino solto e independente \u00e9 sin\u00f4nimo de orgulho. \u201cL\u00e1 no Sarah (Rede Sarah de Hospitais de Reabilita\u00e7\u00e3o), na \u00e1rea de ortopedia, tinha uma imagem de dois corredores usando pr\u00f3tese no Central Park e eu me perguntava se um dia meu filho seria um atleta. Hoje, sei que sim. \u00c9 exatamente isso que est\u00e1 acontecendo\u201d, relembra ela, que \u00e9 m\u00e3e solo de quatro filhos. \u201cTodos os dias, eu falo que ele nasceu pra se destacar, para conquistar o mundo, para ir longe\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor do Centro Ol\u00edmpico de S\u00e3o Sebasti\u00e3o Edson Tavares, t\u00e9cnico de Adryan, conta que o apoio familiar \u00e9 essencial para o sucesso do atleta. \u201cSem apoio, seria muito dif\u00edcil. Quantas pessoas com defici\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o em casa por conta do medo da fam\u00edlia de que ele seja julgado, sendo que, na verdade, o esporte \u00e9 um salva-vidas\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recome\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora pare\u00e7a clich\u00ea, o esporte realmente mudou a vida do estudante Jo\u00e3o Gabriel Lins, 15 anos. O pai dele, o aut\u00f4nomo Luiz Gonzaga Lins, 60, revela que, antes, o menino n\u00e3o tinha muito movimento na agenda: a rotina era baseada em ficar em casa e em consultas com a fisioterapeuta. Depois que conheceu a bocha, por\u00e9m, o cen\u00e1rio mudou: treina de ter\u00e7a a sexta-feira e participa de diversas competi\u00e7\u00f5es. \u201cAgora ele \u00e9 outro adolescente. Est\u00e1 mais disposto, mais comunicativo. Ele leva o esporte a s\u00e9rio e quer ir at\u00e9 onde puder, o mais alto poss\u00edvel\u201d, relembra o pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jo\u00e3o, o que mais mudou foi a perspectiva de vida. Antes sem muita esperan\u00e7a no futuro, hoje ele tem planos e metas: quer se tornar um atleta ol\u00edmpico e se formar em jornalismo. Diante de tantas mudan\u00e7as, ele indica o esporte para outros colegas. \u201cSe voc\u00ea \u00e9 cadeirante e pensa que \u00e9 um nada, tente um esporte e se sentir\u00e1 importante. \u00c9 como me sinto hoje, mudou totalmente a minha rotina\u201d, aconselha Jo\u00e3o. A bocha \u00e9 um esporte praticado por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou defici\u00eancias severas.<\/p>\n\n\n\n<p>O menino, que nasceu com paralisia cerebral, come\u00e7ou a praticar bocha em 2019, no Centro Ol\u00edmpico do Setor O, em Ceil\u00e2ndia. Logo no primeiro ano, conquistou duas medalhas de prata: em S\u00e3o Paulo e em Bras\u00edlia. No ano passado, subiu de patamar: alcan\u00e7ou o ouro em duas competi\u00e7\u00f5es. Neste ano, a meta \u00e9 a mesma, ganhar as etapas regional e nacional das Paralimp\u00edadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas competi\u00e7\u00f5es, Jo\u00e3o conta com o apoio do professor Marcos Oliveira. Com mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de doc\u00eancia, ele conduz 63 alunos no CID Paral\u00edmpico de Taguatinga nas modalidades de bocha e atletismo. \u201cO esporte \u00e9 uma mudan\u00e7a de vida, principalmente daquele aluno que vivia escondido em casa, n\u00e3o tinha contato com ningu\u00e9m. Abre um norte na vida deles que \u00e9 um ganho inexplic\u00e1vel\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Organizadas pelo Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB) desde 2006, com exce\u00e7\u00e3o de 2008 e 2020, as Paralimp\u00edadas Escolares s\u00e3o o maior evento esportivo para crian\u00e7as e jovens com defici\u00eancia em idade escolar do mundo. A competi\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por tr\u00eas fases regionais e uma nacional. A primeira etapa regional de 2023 foi realizada em Bel\u00e9m, Par\u00e1, e a terceira e \u00faltima ser\u00e1 em S\u00e3o Paulo, que tamb\u00e9m receber\u00e1 a etapa nacional. Na segunda fase, sediada em Bras\u00edlia, participam 530 atletas em provas de atletismo, nata\u00e7\u00e3o e bocha, vindo de 10 estados (AC, AM, BA, GO, MG, MS, MT, RO, RR e TO) e do DF.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste \u00e9 o segundo ano que a etapa regional das Paralimp\u00edadas Escolares acontece em Bras\u00edlia, que acaba se destacando no cen\u00e1rio nacional do desporto para pessoas com defici\u00eancia com resultados bem expressivos, tanto em competi\u00e7\u00f5es para adultos quanto escolares\u201d, comenta Wanderson Cavalcante, professor da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o que representa a pasta nos jogos. \u201cO Distrito Federal, por diversas vezes, j\u00e1 teve o terceiro lugar em \u00e2mbito nacional e, no ano passado, na etapa regional, ficamos em segundo lugar, atr\u00e1s de Minas Gerais\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro treinos por semana, cada um com dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de duas horas. 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